29.3.16

O mundo ao avesso (11 - expansor)

O expansor é um dos assuntos que quero partilhar aqui convosco.

Se bem se lembram a minha opção no que diz respeito à reconstrução, passou pela colocação de um expansor no momento da mastectomia.

A colocação de expansor consiste em colocar uma "espécie" de saco no local onde outrora estava o tecido mamário, posteriormente este vai sendo enchido (através de uma válvula) com soro fisiológico a cada 15 dias. O objetivo é a pele ir esticando, tal como o músculo, para mais tarde ser possível colocar uma prótese.

No dia em que fui fazer o primeiro enchimento não fazia ideia como eles iriam fazer aquilo e estava curiosa é claro. 
O processo é bastante simples e indolor, identificam o local da válvula com um detetor de metais e depois é só injetar soro fisiológico para dentro do "saco", na verdade não custa nada.

No primeiro enchimento colocaram 100 ml de soro fisiológico, a até aqui tudo bem, o problema foi ao fim do dia quando o músculo começou a ficar farto de estar esticado... ora se as dores pós mastectomia foram más, não consigo dizer se estas não eram ainda piores.

Estive uma semana em que andar era um sofrimento atroz, bastava colocar um pé no chão e parecia que me estavam a rasgar ao meio, deitar-me ou levantar-me só se tornava menos doloroso com ajuda (alguém colocando uma mão nas minhas costas e puxando-me para cima, ou apoiando-me de forma a que me conseguisse deitar).
Posso dizer que foi das coisas pelas quais passei mais dolorosas fisicamente.

Não podia ser assim até ao fim dos enchimentos, eu não ia suportar, e no segundo enchimento colocaram apenas 50 ml, o que eliminou uma parte das dores. Eu preferia encher mais vezes mas sofre menos em cada vez.

No total foram feitos 6 enchimentos e eu sentia-me uma galinha depois de ter comido uma saca de milho.

O expansor é desconfortável e, no meu caso, causou-me sempre um enorme desconforto, foi-me muito difícil suportar aquela coisa dentro de mim tantos meses, mas tive que conviver com ele até ao dia 23 novembro de 2015, ou seja, 6 meses.

A informação que me deram no hospital é de que há mulheres que convivem muito bem com isto, mas talvez devido à minha constituição física o meu caso foi bastante complicado.

Mas nem tudo era mau.





Azulejos - Porto
Photos by ♥ Dora Ramalho

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