14.3.16

O mundo ao avesso (3 - então que seja)

Desengane-se quem pensa que uma lesão atípica benigna é qualquer coisa que por ser benigna não necessita de intervenção.
Foi me explicado que uma lesão deste género mesmo sendo benigna tem que ser retirada, pelo facto de ser atípica, ou seja, é benigna não se sabe até quando, a qualquer momento pode passar a ser maligna.

Não me safava a uma pequena cirurgia para retirar a dita cuja.
A intervenção ficou marcada para 17 de Abril de 2015, explicaram-me que seria uma coisa simples, mas como tinha o peito relativamente pequeno seria melhor de imediato fazer uma remodelação dos tecidos de forma a não ficar com uma cova no local onde seria retirada a lesão.
Uma remodelação dos tecidos consiste essencialmente em puxar tecido de um lado para o outro, como quando temos um buraco na terra e puxamos a areia em redor para tapar (ou disfarçar) o buraco.

Pronto e se tinha de ser assim, então que fosse!
Estava nervosa? Claro!
Nunca tinha sido operada a nada, nunca tinha partido nada, tão pouco tive sarampo, varicela, otites... Nada de nada, mas tentei manter-me tranquila, continuar a sorrir sempre, isto ia ser uma coisa simples e logo logo voltava à minha vida normal.

No dia da intervenção tiveram que me colocar um arpão, arpão esse que servia para identificar o local exacto da lesão, e não era nada mais do que um fio metálico espetado até à lesão em si. Eu chamei-lhe a antena parabólica.

Depois foi só esperar que me chamassem para o bloco.


Puxador algures por Praga
Photos by ♥ Dora Ramalho

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