5.4.16

O mundo ao avesso (13 - sorrir vs desistir)

O grande lema que tentei levar sempre avante durante o último ano, tal como já referi aqui foi: A sorrir é tudo mais leve.

Continuo a acreditar que sim embora também tenha percebido o quanto é fácil querer desistir, querer baixar os braços. Passei por momentos de grande desespero tanto emocional como físico e às vezes achei que já não queria mais lutar para manter o sorriso, que não queria levar mais nenhuma injeção, que se lixassem as injeções, eu não queria saber, estava farta e cansada. Hoje entendo o que leva as pessoas a desistirem.

Mas lutei, lutei muito para continuar a sorrir, para a minha filha me ver sorrir, mesmo quando só estava a sorrir por fora. Apenas por uma vez ela me viu completamente descontrolada, num dos momentos em que desisti, em que não suportava mais as dores físicas e tenho a noção que nesse momento transformei-me numa pessoa irracional.

A maior parte das vezes que chorei foi sozinha, afinal de que adianta passarmos o nosso desespero para os outros quando sabemos que nada podem fazer?

Por incrível que possa parecer, dei por mim a pensar várias vezes que eu não devia ter realmente noção do que me estava a acontecer, porque achava que quem me rodeava estava sempre mais preocupado do que eu, portanto eu não devia estar a ver bem o filme todo...

Acredito que sorrir foi uma das coisas que mais me ajudou. Podem pensar que foi uma forma de camuflar o sofrimento, e até podem ter razão, mas tudo o que não precisava era de alimentar ainda mais a dor.

Acreditem, A sorrir é tudo mais leve.



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Photos by ♥ Dora Ramalho

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